12/05/2010 - Ritmo da indústria ajuda nível de emprego a crescer

Mês de março teve expansão de 2,4% em relação a 2009
 
O emprego industrial aumentou 0,7% em março em relação a fevereiro, na série com ajuste sazonal, no terceiro resultado positivo consecutivo na evolução mensal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com março de 2009, o emprego na indústria aumentou 2,4%, a maior expansão ante igual mês de ano anterior apurada pelo instituto desde o mês de agosto de 2008 (2,5%).
Com os resultados de março, a ocupação industrial fechou o primeiro trimestre com expansão de 0,7% em comparação a igual período do ano passado. Em 12 meses, porém, o resultado ainda é negativo (-4,2%).
O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria aumentou 1,2% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, segundo o IBGE. Na comparação com março do ano passado, houve aumento de 5,6%, a maior alta apurada frente a igual mês do ano anterior desde setembro de 2008 (7,7%).
A folha do setor fechou o primeiro trimestre com alta de 3,3% ante igual período do ano passado e prosseguiu em queda (-1,9%) no indicador em 12 meses. Já o número de horas pagas na indústria registrou em março alta de 1% ante fevereiro e de 3,7% ante março do ano passado. Também acumulou avanço de 1,8% no primeiro trimestre em comparação a igual período de 2009, mas queda de 4% em 12 meses encerrados em março.
Segundo o economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo, os dados mostraram um "aumento generalizado" nas contratações, em termos setoriais e regionais. Ele explicou que os resultados positivos refletem uma aceleração registrada, em março, no crescimento da produção do setor.
Macedo disse que a expansão, a maior nessa base de comparação em quase dois anos, reflete uma base de comparação deprimida de 2009, mas também o maior dinamismo industrial. De acordo com o economista, em março, 15 dos 18 setores pesquisados e todas as 14 regiões investigadas mostraram alta no emprego.
Macedo considera como principal novidade trazida pela pesquisa o aumento no número de setores com resultados positivos já que, em fevereiro, ainda havia seis segmentos em queda e agora há apenas três. Em janeiro, havia dez setores com resultado negativo. "Não é apenas base de comparação, mas aumento de contratações, como resultado da alta da produção", disse.
No que diz respeito aos aumentos apurados na folha de pagamento industrial em março, Macedo atribui a alta à ampliação no número de vagas e, também, à elevação no número de horas pagas, com efeito das horas extras.
 
Construção civil deve criar mais 180 mil vagas em 2010
 
A construção civil deverá gerar um saldo de 180 mil empregos formais no País em 2010, de acordo com estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O número é pouco maior que os 177.185 novas vagas criadas em 2009. Os empregos formais correspondem a apenas 28% da força de trabalho do setor, segundo o estudo da entidade a partir dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
O Dieese avalia que as perspectivas de investimentos no setor, em programas como o Minha Casa, Minha Vida e as obras necessárias para a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, devem fazer com que o emprego na construção civil siga em alta. Na avaliação da entidade, os setores que receberão os maiores investimentos ao longo deste ano serão o imobiliário residencial e o energético. Dados do Sinduscon-SP apontam que a taxa de investimento deve chegar a 20% do PIB em 2010.
"A meta é que os investimentos cresçam de R$ 476 bilhões para R$ 625 bilhões. No setor imobiliário, os investimentos deverão passar de R$ 170 bilhões para R$ 202 bilhões. A Copa deverá injetar pelo menos R$ 155,7 bilhões na economia brasileira, conforme estudo da Fundação Getulio Vargas", diz o estudo do Dieese. A Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi) estima que o setor será responsável por 3,5 milhões de empregos em função da Copa de 2014.
Apesar dos reflexos da crise financeira e de seu impacto no setor da construção civil, os trabalhadores de empresas de construção e mobiliário conseguiram reajustes salariais acima da inflação em 94% das 68 negociações coletivas realizadas no ano passado. O resultado é inferior ao observado em 2008, quando 97% dos acordos salariais na construção obtiveram aumentos reais. Os reajustes conquistados no setor da construção são melhores, no entanto, se comparados às negociações de outras categorias profissionais analisadas no balanço dos acordos salariais de 2009, em que 80% dos 692 acordos obtiveram aumentos reais.
 
Fonte: Jornal do Comércio
Data: 11/05/2010

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